Vale a pena investir na Educação Básica

28/07/2009

Magno de Aguiar Maranhão


A pesquisa ainda é considerada, no Brasil, algo excepcional a que se dedicam mentes privilegiadas que vencem o funil da pós-graduação. A nível de graduação há programas restritos, como o PET (Programa de Extensão e Treinamento), que vivem sob ameaça de corte de verbas.

No ensino médio, o incentivo é quase nenhum, ou seja, a pesquisa é totalmente dissociada dos currículos e o processo ensino-aprendizagem na educação básica abafa o espírito científico nos alunos.É improvável que, com visão tão estreita, um dia tenhamos uma população de pesquisadores condizente com as dimensões e necessidades do país. A pesquisa não pode mais ser uma atividade reservada àqueles que, já no ensino superior, demonstram talento nato para as ciências.

Crianças são pesquisadoras por natureza, sempre ansiosas por entender e modificar o mundo em que vivem. Pena que esse espírito investigativo nato costume ser literalmente massacrado por um sistema mais preocupado em transmitir conteúdos rígidos e conceitos pré-estabelecidos.

O ensino é atividade de pesquisa constante, no qual o professor é parceiro de descobertas. Contudo, graças à deficiente formação do magistério e à falta de apoio que a maioria dos docentes recebe para desenvolver um bom trabalho, o discurso oficial que recomenda a prática da pesquisa em todos os níveis de ensino, se cala quando a porta da sala de aula se fecha.

O laboratório do aluno é seu próprio ambiente. A pesquisa pode ser centrada num problema que lhes diga respeito diretamente, como a falta de saneamento básico no local onde moram, a poluição, falta de espaços verdes e por aí afora.

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